domingo, 31 de julho de 2011

Não jogue nossas chaves

Estou confuso... acho que tenho esse direito, tudo é novo pra mim. Quando seus olhos me aceitam e seu sorriso me acolhe eu me assusto.
Você me disse que não quer romancear,  não me disse para eu ocupar as lacunas vazias do seu coração. Então eu acho que não tem o direito de se zangar.
Sempre aceito a sua metade, metade da semana, metade do fim de semana, metade dos seus sonhos e metade do seu drops de morango. Nunca pedi seu coração por inteiro, mas deixo claro nas entrelinhas que quero, é só você entender.
Senti medo de ter que tirar meus sentimentos nobres do peito e jogar no lixo... senti medo quando disse que não queria me ver. Meu peito doeu, rolaram lágrimas que a muito teimavam em se esconder por de trás dos meus olhos castanhos. Te peço para não jogar nossas chaves.
Foto: Filme Um beijo Roubado

Lizzy: Você ainda tem as chaves?
Jeremy: Sim, sempre me lembro que me disse sobre nunca jogá-las fora, sobre nunca fechar as portas para sempre.
Lizzy: Às vezes, mesmo quando se têm as chaves, essas portas não podem ser abertas.E mesmo que a porta seja aberta, a pessoa que procura talvez não esteja mais lá.

Te conto um segredo: Adoro seu sorriso e sua pele... gosto de pentear seus cabelos claros com os dedos e beijar suas costas. Gosto mais ainda da maneira simples que você faz eu me perder em ti. Gosto de me esquecer do que existe além de nós. Abro meus e-mails e leio o que você escreve,  feliz como um garoto que ganhou um presente novo. Você é meu presente novo, e quero que seja meu futuro também. Torço a cada minuto por uma mensagem de texto e quando chega e vejo que não é você, quase não tenho vontade de ler. Me leia também, sou tão simples de ler, preste atenção, te deixo pistas e chaves para entrar aonde quiser, na minha casa, no meu carro, no meu coração é só guardá-las.
Não se assuste eu erro mesmo, mas é só você me ensinar, falar do que não gosta. Eu sei que não gosta de Fast Food e atrasos, me fala então que também não gosta de compromissos desmarcados. Eu desmarco a minha vida e marco meu nome na sua para nunca mais me atrasar e desmarcar nenhum compromisso com você.
Certa vez quando eu tive um primeiro amor nos brigamos, eu olhava nos seus olhos e eu via olhos imprecisos e vazios. Eu pedia:
-Fique, não vá.
Sorriso com desprezo, sem afeto, sem carinho e cheio de dentes.
-Se você for não precisa mais voltar.
Ela foi e nunca mais voltou. Casou-se com outro rapaz (mas duvido que ele goste de Beatles, Los Hermanos, leia livros e os pensamentos dela) teve filhos... aquele que seriam os nossos, aqueles que chamaríamos de Pedro e Laura.
Ela deixou um vazio enorme e demorou algumas primaveras para tudo voltar ao seu devido lugar. Deixou todos os meus sentimentos confusos e desalinhados dentro no meu coração... deixou mágoa. Deixou sonhos guardados dentro de caixas de presentes. Nunca foram abertos. Criaram poeira.
Certa vez quando tive um melhor amigo ele também se foi. Não pude evitar, mas levo seu sorriso e olhos verdes por onde quer que eu vá. Está em paz e alto aqui do sétimo andar eu me lembro e até converso com ele.

-Fique bem, um dia ainda vou te abraçar e te contar muitas estórias, relembrar outras tantas que vivemos e ainda teremos tempo para sentar na grama, descalços, e ficar a toa, sem se preocupar com o anoitecer.
Tô confuso...
Então eu só peço um pouco de paciência. A doce solidão sempre foi minha companheira, mas a muito ela foi embora, estou aqui por nós. Acredite em nós. Fique. Não jogue nossas chaves.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lua em Gêmeos ou férias de Inverno?


Quero você pra mim amanhã, me roubando sorrisos largos, paz, e minutos sem utilidades. Gosto quando acaricia minha orelha com suas mãos, também gosto quando elas acariciam as teclas do seu piano.

-Parabéns! Perfeito!
-Fala baixo e não faz barulho.
-Tá.

No posto de gasolina amarelo perto da sua casa os minutos voam, do gosto amargo da cerveja ao doce dos seus lábios rosados e do açaí com banana. Gosto do seu cheiro, das suas manias e dos seus óculos (e principalmente do que enxergo no reflexo deles quando estou ao seu lado).

Quero lembrar da nossa aventura mais secreta e perigosa, eu, você e uma imensidão de verde e as luzes pequenas dos arranha-céus.
-Me beija?
-Beijo.
-Vem aqui mais perto, quero sentir a sua temperatura.
E por mais que se afaste, eu sei que sua vontade é deitar no meu peito.

Quando os faróis se apagam, todo o universo se cala. Só ouço seu coração e sua respiração.
-Quero te ver novamente.
-Esse final de semana tenho compromisso.

Então, enquanto te tenho nos braços, quero aproveitar para sentir seu cheiro e olhar suas pintas cor de chocolate ao leite no branco neve das suas costas. Te puxo de leve os cabelos pela nuca porque eu já sei que você gosta.
-Vamos nos ver no sábado?
-Você não me chamou com entusiasmo!
-Sei lá, você sempre está ocupado nos finais de semana.
-Aceito.

Não sei se é a lua em gêmeos ou as férias de inverno. Espero que só julho acabe, quero você amanhã.

"Sobre os gêmeos do zodíaco: Pólux e Castor, tão semelhantes eram, que os mortais um do outro jamais os distinguiriam.
Tinham armaduras brancas como a neve e brancos como a neve eram os seus corcéis".

quinta-feira, 7 de julho de 2011

VENDO UM CORAÇÃO:


Funilaria e Pintura Revisada (sem marcas de mágoa ou ressentimento, apenas riscos leves... mas se você polir, sai fácil).


Sem ar condicionado, porém condicionado a sorrir se os teus olhos dizerem sim. Sem limpador traseiro, porém limpo de doenças cardiovasculares... arritmia somente com luzes apagadas. Manutenção OK (Revisado em 2010 e 2011).

Ano Fabricação 82 Modelo 83.

ÚNICO DONO. IMPERDÍVEL !!!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nature Boy - Pomplamoose


Havia um menino
Um estranho e encantador menino
Eles diziam que ele vinha de muito longe
Muito longe, além da terra e mar
Um pouco tímido e os olhos tristes
Mas muito sábio ele era
E então um dia,
Um mágico dia, ele cruzou o meu caminho
Enquanto nós falávamos de várias coisas,
Tolos e reis...
Isso ele disse para mim:
"A coisa mais importante que se pode aprender
é apenas amar e em troca ser amado"



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ontem


Foto: Filme Closer
"-Tudo é uma versão de outra coisa."
"-Você não entende nada de amor porque nunca soube o que é ceder."
"-Mentir é a melhor coisa que uma mulher pode fazer sem tirar a roupa, mas fica melhor se ela tirar!"

Ontem eu cai da montanha, desci rolando por entre amendoeiras e pés de pitangas, alguns metros, talvez três, sete ou treze, não me recordo ao certo.
Tropecei em algumas pedras e falsos momentos que acreditei serem fáceis de ultrapassar, de pular... estava enganado.
Meu joelho doeu, mas consegui me levantar e contornar suas indiferenças, mas logo depois da primeira curva, me encontrei com o seu sarcasmo... aí não há analgésico que resolva. Desmoronei novamente.
Fiquei uma noite deitado, ao lado de sua individualidade, ela insistia em fingir que eu não estava lá! (óbvio)
Quando acordei e notei que estava com frio, li seu bilhete e imaginei você por aí, com seus amores. Quanto desamor.. Minha coberta estava no armário, longe dali.
Sua ideologia e a sua meia dúzia de idéias idiotas sobre mim, esqueceram de me avisar que você havia partido. Saudade dói. Você não estava lá e senti medo.
Tomei um xícara de chá enquanto tentava assimilar a sua falta de vontade.
Subi um lance de escadas... primeiro pisei em quase todos os meus princípios, depois em todos os meus sentidos, corri atrás de você com força e tênis adidas para corrida.
Escorreguei... nem foi preciso cascas de bananas, era sua indelicadeza... peitei sua arrogância... passei a mão na sua cabeça... mas continuava a cair.
Enquanto a lua iluminava o mar de ilusões dentro do meu peito e meu coração batia em descompasso, observei que estava no marco zero. Altitude zero. No plano. Tinha despencado até o chão... eu olhava para trás e via a imensa montanha.
Eu, que um dia estive no topo, já não tinha mais vontade de escalar a montanha de sonhos que construí pra nós.

Foto: Filme Closer
"-Dizer a verdade é o que nos diferencia dos demais animais."
"-Não diga que sou muito bom pra você. Eu sou, mas não diga."

quinta-feira, 15 de julho de 2010

2 + 2 = 5

Chovia bastante e o espelho do banheiro embaçou quando liguei o chuveiro. Tentei escrever algo, mas me lembrei que dedos no espelho não combina mais com a minha idade. É o mesmo que mascar chiclete e engolir. Acreditar no amor ou assistir "E.T" e querer voar com a bicicleta?! Passado!
Na mesa, a xícara branca mais parecia um convite. A fumaça que evaporava me dava a impressão de que o café poderia me esquentar mais que o cachecol. Talvez se eu fosse criança, acreditasse que fosse capaz de esquentar o meu coração.
Escovar os dentes com o dedo e engolir o creme dental, pentear os cabelos com o garfo, apertar a campanhia do vizinho, subir em árvores ou descer a rua num carrinho de rolemã... estava tudo tão distante, que eu era obrigado agora a me levantar e ir trabalhar, pois os cinco minutos sentado para tomar meu café matinal já haviam se tranformados em dez.
O telefone gritando o dia inteiro ao cubo, cinquenta e-mails na caixa de entrada é igual a "X", somado a raiz quadrada de mais cento e poucos problemas e quinze mensagens de texto. QWERT freneticamente pressionados. Como resolver essa complicada equação? Ainda seria mais fácil do que eu me ler.
Desci do 17° andar, abri o guarda chuva preto. O céu estava cinza. Trânsito caótico, luzes vermelhas de um lado, brancas de outro. O vidro traseiro me lembrava o espelho do banheiro. Liguei o desembaçador.
Ouvir alguma música do meu repertório -repetido, diga-se de passagem- fazia a minha volta pra casa também parecer como todas as outras. Deitado na sala, o filme de ontem era mais nostálgico, mais melancólico, mais parecido com o autor do texto. "Sempre ao seu lado" foi mais inteligente do que ver "A trilha" que só vale os primeiros 40 minutos. Depois ficou tão previsível e chato como o meu dia de ontem e o de hoje. Ainda sobrou tempo pra eu lembrar de você e tentar entender por que tanta distância... não consegui. Enquanto meus pés tentavam se aquecer sob o cobertor de lã verde, na cama comecei a imaginar se o sol voltaria a brilhar e esquentar na manhã seguinte... se eu precisaria ligar o desembaçador novamente... se eu conseguiria resolver minha equação... e se eu te entenderia...

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Amanhã fico triste... hoje não!


Amanhã fico triste,
Amanhã.
Hoje não.
Hoje fico alegre.
E todos os dias,
Por mais amargos que sejam,
Eu digo:
Amanhã fico triste,
Hoje não.
(Texto encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças do campo de extermínio nazista de Auschwitz)