quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pelo direito de ser feliz sozinho e dizer “eu não te amo”

"vá voar com o vento que só lá você existe" - 

“Não sou para casar baby boy!” Foram essas as palavras ditas naquela noite, e foi assim que ela, de repente, finalizou o clima do jantar que ele planejou durante semanas. Ele com um sorriso amarelo e ela convicta de que o término era o melhor a fazer. Prefere agradar a si mesma do que agradar o próximo, acredita que é aí que se encontra o segredo da felicidade. Ela está certa! Não sonha em constituir família, fazer lasanha para o maridão no domingo, trocar fraldas, receber flores nos dias das mães, visitar a sogra e todos esses clichês de uma vida à dois [...]


Se o que ela preza é a independência, o desejo de ser uma executiva bem sucedida sem necessariamente/literalmente ter um marido por trás, ela também está certa! O “eu não te amo” também é digno, bonito, até combina com sorrisos, e ela optou por dizê-lo.

Foi-se a época em que as mulheres solteiras sofriam com tais estereótipos. Ser titia hoje é a opção escolhida por uma grande parcela de mulheres bonitas, inteligentes, bem sucedidas e que sabem principalmente o que não querem. Ela tem o direito de não seguir adiante em um relacionamento e preferir ficar solteira. É mais ou menos como um filme ruim, se não lhe agrada mais, você simplesmente troca o canal, vai de Warner ver uma série ou troca por ESPN assistir algum esporte. Continuar um relacionamento morno é como ter que comer lasanha, quando o que você mais quer é saborear aquele Strogonoff de Carne, flambado com conhaque e bastante champignon. É se contrariar, é nadar contra a correnteza, não funciona.

Não é carência e nem autossuficiência, é apenas uma escolha. Há o passeio pela livraria do Conjunto Nacional, que ela adora e que ele não faz a menor falta, pois aquele universo de histórias, frases, poemas, concordâncias nominais, é por si só fascinante e completo. Basta! Assistir Woody Allen sozinha na cama de casal sem dividir o edredom é incrível. Não dividir o pote de Häagen-Dazs de doce de leite é indescritível.
Ela só faz parte de um time onde o amor próprio é prioridade, onde o romantismo exagerado não lhe enche os olhos. Levanta a bandeira dos solteiros e bem sucedidos com orgulho, é do tipo que gosta de sair sexta feira a noite e voltar somente quando o sol estiver nascendo ou quando achar conveniente. Sem dar satisfações. Gosta de elaborar o seu roteiro de vida sem opiniões terceiras. Seu maior vínculo é consigo mesma e com a felicidade, sem sabotações, parênteses, entrelinhas ou aspas.

Trocou a conchinha e o compromisso de se preocupar com ele, ligar dizendo o quanto ele faz falta, ou escolher presentes no dia doze de junho, por um curso novo de fotografia naquela escola cara e o curso de francês que sempre sonhou aos sábados. A dança do ventre é uma vez por semana, sempre às quartas. Opta por jantar com as amigas toda quinta, ficam horas à fio discutindo desde coisas fúteis até as indispensáveis. Discutem séries, pornografias, economia e filosofia. Jogou no lixo as possibilidades de chatas D.R.’s por ciúmes ou aguentar por exemplo, julgamentos por olhar na academia para o vizinho-de-esteira-gostosão. Prefere poder escolher sozinha o destino da sua próxima viagem, sem precisar abrir mão ou ceder um pouquinho. Optou por ser sua melhor companhia. Escolheu se bastar e não colocar sua felicidade nas mãos de outra pessoa. E todos os dias, quando se levanta pela manhã, enquanto desliza o batom carmim pelos lábios e prende os cabelos negros num coque alto, sorri para o espelho com a certeza de que fez a única escolha que não vai se arrepender, aquela que ninguém faria por você: Pensar única e exclusivamente na sua felicidade.

3 comentários:

Marcela Alves disse...

aha eu me vi nesse texto. Achei lindo e sou dessas que escolheu optar por sua própria felicidade.
Com o perdão da palavra você e FODA, escreve muuuuito bem. Deveria escrever um livro.. =D (Eu seria a primeira a comprar)

Ana Cristina disse...

Oi Éder,
tudo bom?
Achei ótimo seu ponto vista, um texto muito claro e sem rodeios. Gosto disso.
Tem muitas mulheres com este perfil hoje em dia, né?! Conheço algumas.
Eu já passei por esta fase, tentei ser independente e não gostei. Até que me saí bem, não sou de recusar trabalho, e mando muito bem nos afazeres domésticos, nada ficou comprometido, juro! hehe
Mas, me agrada muito mais a ideia de ter alguém com quem compartilhar, alguém para dar satisfações, gosto desta presença masculina como chefe da casa. Meu marido é muito mais que meu amante na minha vida. Estou com ele desde meus 16 anos. Em um determinado momento da minha vida achei que não queria mais ser casada e sim ser independente. Que burrada! Senti muita falta dele e da nossa rotina juntos. Do bom humor dele, dos mimos que ele me fazia, da cumplicidade. Gosto muito quando ele me trava e diz que é hora de descansar, quando estou trabalhando demais e fazendo várias coisas ao mesmo tempo. Nossa vida é corrida e nossos horários são doidos, ele trabalha à noite e eu durante o dia. Isto torna nossos finais de semana incríveis! Estamos apaixonados novamente. Que bom que acordei à tempo.
Mas, de qualquer forma, admiro muito estas mulheres independentes que não se sentem solitárias. Desejo muito sucesso à elas.

Beijão, boa semana.

Ana Cristina disse...

Estava lendo uns artigos por aí, e olha a coincidência:
"Às vezes, as pessoas deixam passar suas outras metades por não conseguirem viver repletas. Por uma estranha necessidade de estar só. De lutar. Batalhar o seu espaço. Conquistar o mundo. Toda uma retórica cafona sobre o que é ser independente."

Fernanda Young
Livro: A sombra de vossas asas