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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ter saudade é ainda ter amor?


Quero te contar que, finalmente, depois de dois meses que me deixou, a minha vida começou a seguir. Desde que partiu, eu tinha sido só inverno. Só saudade e melancolia. Fui gosto amargo na boca e olhos úmidos. Dor no peito e insônia. Assim como o mês de Setembro colore com a Primavera, eu também irei florir. Outra vez. E pasme, sem você! Ontem eu estive naquele bar que íamos sempre, ali na região da rua Augusta, onde sempre tem moças de cabelos pretos e curtos, com a pele bem branca, esguia e linda, pintada num batom vermelho e trajando preto e jeans surrado [...]
Onde tem caras estilosos e bonitões de calça bordô, penteado do James Dean, óculos escuros de uma grife italiana qualquer e um cigarro na mão. Desde que você partiu a única coisa que eu tinha nas mãos, também era um cigarro. Mas finalmente alguém chegou para te lavar de dentro do meu peito e me segurar pelas mãos novamente. Apareceu num domingo chuvoso, mas disse que faria tudo virar sol.

Ela é tímida, e quando aperta os lábios num sorriso, a sua boca forma um desenho de uma rosa vermelha, é bem diferente de você que sempre abriu a boca num sorriso de comercial de creme dental. E eu te digo uma coisa minha cara, o charme dela ao sorrir e o jeito encabulado e desajeitado de me chamar de lindo, me deixa mais confiante e soa mais verdadeiro. Ela prefere se mostrar aos poucos para mim, conta um segredo hoje, outro amanhã, faz manha e diz que não me enche de elogios com medo da minha partida. Você sabe, eu sempre corro quando fica morno. Mas de você eu nunca corri! Ah, isso você não pode negar. Diferente da nossa primeira noite, a noite de estreia com a moça dos olhos verdes e sardas no ombro, não teve sexo –não que isso fizesse diferença pra mim-, mas eu sinto que a moça, talvez esteja planejando um momento especial com cerveja, sorrisos tímidos, música boa e o melhor, com algum tipo de sentimento verdadeiro que nasça antes da minha cueca cair no assoalho. Para ela sexo por sexo é melhor não fazer. Ponto para ela.

Ela não tem os seus olhos de desenho animado, bambi eyes. Os olhos dela, acredite, são mais misteriosos que os olhos de ressacas, cavos e fundos da Capitu. E agora eu prefiro os olhos verdes aos olhos castanhos. Silenciei nosso passado e ele agora jaz. Ela dança comigo descalça e sussurra Lana Del Rey com uma voz rouca no meu ouvido. Segura o cigarro em um das mãos e o copo de cerveja na outra, mas sempre dá um jeito de me segurar para si, bem perto ao peito e apertado, mesmo com as mãos ocupadas. Ela diz que eu fumo rápido demais, que tenho a pele quente e sempre que eu a olho, boquiaberto com a sua beleza, ela emite um som tímido e gostoso de uma semi-risada-linda-e-só-dela, que sempre acaba com a boca colada à minha.

Você deve estar se perguntando por que eu resolvi fazer tantas comparações. Entenda meu bem, você faz parte das coisas boas que já me aconteceram um dia. Irei sempre lembrar com carinho de nossas viagens, das nossas noites de sexo e de amorzinho, dos cinemas e sessão coruja na sua sala, passeios ao parque, sonhos, projetos e risadas, da sobremesa de dias das mães na sua avó e de assistir futebol jogado na sala. Irei lembrar também de todos os apelidos carinhosos que me chamou. Guardo no peito um punhado de bons momentos que vivi contigo. Acredite! Sou um eterno mochileiro que carrega contente as consequências e vivências que a vida nos proporciona. Carrego um bocado de momentos tristes para ficar mais forte e maduro, sabe aquela minha ruga na testa? Não é só sinal da idade e sim do amadurecimento. Quando faço uma análise crítica do que vivi, concluo que tenho um volume infinitamente maior de coisas boas na alma e no bolso. Sou grato ao universo por tantos bons momentos... Mas de fato, o intuito é só te contar que finalmente eu vou virar verão. Proposta no ouvido e mão boba. Língua e gosto de mar na pele. Sorriso tímido e mão na coxa. Olhos verdes e pintas nos ombros. E pasme, sem você!


...
...
...

"Que você me adora, que me acha foda, não espere eu ir embora pra perceber".

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Ventos de Junho


Mês de junho. Frio. Úmido. Sempre achei que tem “um que de Europa”. Sempre gostei de olhar a cidade acordar no frio, nas ruas as pessoas apressadas para o trabalho, nos carros os vidros embaçados, a garoa, as respirações com fumaças. Quando eu era pequeno soprava no espelho do banheiro nas manhãs frias, deixava uma mensagem ali escrita com o dedo e mais tarde, a noite, voltava para conferir antes do banho. Soprava e minha mensagem secreta estava lá novamente. Nunca mais soprei nosso espelho, 'canção velha', nunca mais te busquei [...]

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Trevo de 3 folhas

Clique e misture-se a banda mais bonita da cidade.

Ao fechar a porta, não fez cerimônias e nem se importou com boas condutas, tudo isso ficou lá fora. Sentou na cama e soltou os cabelos, desprendeu os cachos em um ritmo que o deixou entorpecido e visivelmente excitado (ela percebeu pelo volume na calça -o botão da calça parecia querer explodir- algo ali de dentro estava preste a entrar em erupção).
Ele se aproximou, com cara de safado e desejo, branco e com os cabelos bagunçados. Segurou-a pela nuca e beijou-lhe a boca de uma maneira que ela não havia experimentado ainda.
Se certificou das janelas estarem devidamente fechadas e com as persianas ocultando os enlaces. 
Desabotoou os botões da camisa dele, um por um, e adorou o que viu. O abdômem era duro como uma pedra, ela conferiu com as mãos e depois subiu até o tórax. Lambeu para provar. Enfiou, sem pudor, as mãos por dentro da cueca listrada e não se poupou de fantasiar, não se poupou de praticar seus desejos mais ardentes guardados a 7 chaves.
Ele olhava o que a moça fazia, era notório o seu prazer. Sorria com cara de sacana, quase implorando para ela não tirar nenhum milímetro da boca.
Tirou a roupa e o esperou na cama com as pernas cruzadas.
Ele não poupou esforços, se portou como ela esperava. Um verdadeiro gentleman, com oscilações em canalhices e performances de astro pornô. Houve pornografias sussurradas e mordidas ao pé do ouvido.
Doces deletérios escorreram por seios e boca, aos corpos quentes, suados e em delírios.
A bailarina cansou de dançar, estava exausta. As sapatilhas estavam jogadas num canto qualquer do palco. Correu para o banheiro, lavou dentre outras partes o rosto, estava com pressa e satisfeita.
Enquanto se vestia, avulsa, o olhava vestir a cueca (dessa vez uma branca). Antes do próximo gesto, que seria vestir a camiseta e a bermuda,  o puxou para perto de si. Se misturou ao frontal do moço. Pegou-lhe com as unhas pela cueca, apertou-lhe a bunda com as mãos, depois cheirou e beijou seu membro, antes  de misturá-lo a duas notas azuis dobradas,  tiradas do porta níquel de oncinha. Retornou até o espelho, se olhou pela última vez, passou por ele com um salto alto vermelho que a deixava linda, arrumou os cabelos com os dedos e despediu-se.
(...)

Depois disso: O que será que será?! (II)


sábado, 24 de setembro de 2011

Doces deletérios

O meu amor tinha gosto de amora, o seu de saudade.

No chão do quarto, alguns papéis (pesquisas sobre um país qualquer para o trabalho de Marketing Internacional), seu Lacoste com seu par de meias brancas dentro, uma mochila azul com alguns sonhos, lápis e canetas, um caderno com pouco conteúdo e bastante folhas em branco -assim como setembro- e Placebo com Special K ecoando.
Começou o dia assistindo TV, Reflexos da amizade, durou somente 20 minutos. O tédio e falta de um final surpreendente (pois já sabia como terminaria) o fez voltar para o quarto. Pensou em ver Os sonhadores e o talento do francês Louis Garrel, só pensou.
Sábado é dia de diversão, de sair com os amigos, dia de beber vodka (boa) com suco de laranja e dançar a noite inteira. Sábado é dia de encontrar um amor descartável na próxima música dos Beatles -Come together-, um flerte pelo caminho até o banheiro ao som de Smiths -There is a light that never goes out- ou um encontro de dois corpos (condicionados a beijos sem sentimentos) na fila do bar ao som mais pesado de Nirvana -Pennyroyal tea. Quem estabeleceu tais verdades?
Seu sábado seria na cama SIM, e por motivos tão óbvios, queria mesmo era dizer como Radiohead  em uma de sua canções: 2 e 2 = 5.

No rádio do carro tocava uma canção de uma banda qualquer. Não importava. Olhou para o lado direito e viu o seu próximo amor. Sim, daria seus sonhos, compraria presentes, e conversaria com os seus familiares na sua sala de estar. Abaixou o vidro para ver melhor.
Perdeu de vista... era necessário, o fluxo do trânsito tinha de continuar. Olhou pelo retrovisor, viu distanciar-se de ti, a mais bela pintura daquela terça ou quarta feira. Sorriu e decidiu voltar.
Fez o retorno, dobrou a próxima rua à direita, voltou por três quarteirões até novamente chegar a avenida principal, em um ponto onde sabia que cruzaria novamente com o seu próximo amor. Preferiu o "não" ao eterno "o que teria acontecido se...". Decidiu abordar. Perguntou informações só para ouvir a voz. Enquanto explicava, ele apenas observava. Tinha os olhos negros e brilhantes, o cabelo castanho escuro e uma pele morena avermelhada. Usava uniforme de voleibol e aparentava assistir Glee de tão jovem que era.
Interrompeu as informações, que de fato não usaria para nada e perguntou:
-Tem compromisso? Quer tomar um suco?
A resposta veio com um sorriso, seguido de um sim.

O amor tem tantos gostos... começa com o gosto da novidade, gosto da descoberta...
-Conheci a poucos meses, uma fruta chamada lichia e hoje conheci você.
É nessa época que queremos tocar, sentir, abraçar, estar perto. Ao desenrolar dos dias passa a ter o gosto de amora, aquele que conhecemos, gostamos, mas não é mais novidade. Dependendo do amor passa a ter o gosto da saudade.
Entrou no carro, entrou na minha terça ou quarta-feira, entrou na minha vida e eu não tinha pressa alguma de voltar para casa.

Lembranças de uma terça ou quarta-feira:

  • Estuda Educação Física;
  • Joga Voleibol;
  • 19 anos; 
  • Sobre ter 19 anos: Corpo perfeito, hormônios a flor da pele e libido incomparável;
  • Mora à uma distância de menos de 5 km da minha casa;
  • Tem um sorriso lindo, cheio de sonhos pré fabricados na adolescência;
  •  Tem gosto de amora.

Ligou só na semana seguinte. Acho pouco provável que alguém com 19 anos, queira algo sério com quem quer que fosse, até mesmo com o Ashton Kutcher.  Não, talvez quisesse com essa segunda opção.
Ligou algumas vezes. Quase duzentas, consegui ouvir a voz apenas uma vez. Todas as outras fora de área ou desligado. Continuou a tentar (só para constar). Não sabia qual direção seguir. Se ancorou nas lembranças.


Escreveu em um canto qualquer da pesquisa de Marketing Internacional:
Quero um dia, cultivar menos as recordações. Quero um dia me instalar com mais integridade no possível. Ter de disfarçar a dor, dói mais ainda.


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Com pimenta, menta e manjericão


Passei as mãos por sua nuca, percorri detalhadamente suas costas, toquei seus cabelos. Não foi suficiente, cheirei seu pescoço e beijei-lhe a boca. Várias vezes. Beijos de urgência, de desejo, desses que incendeiam a alma, desses que se nota na saliência da cueca que tudo está no caminho certo, desses que te fazem tremer as pernas, suar as mãos, beijos memoráveis (que nos acompanham por semanas, beijos que queremos repetir a dose: a dose de prazer, a dose da saliva, a dose diária de você).
Mãos desbravavam tudo. Percorriam caminhos sob a camiseta, passeavam pelo tórax e costas, exploravam o íntimo, descobriam corpos... Saturno era personagem secundário, assim como todo o resto do universo.
Respirava desejo, na boca o gosto de saliva, do suor salgado, gosto do pecado, do sexo...

Eis um dado importante:
Na minha boca, além de todos esses gostos, tinha o SEU gosto, 
e isso para mim era o suficiente.

...o rosto estava vermelho, de calor, de atrito da barba -não se importou.
Mordi os ombros claros, apertei-me contra seu corpo para ficarmos bem juntos, para sentir a temperatura, o peso, para sentir a pele molhada, para se transformar em um só.

Eis outro dado importante:
Ah se você soubesse quanto amor eu ainda tinha tenho pra nós, e o melhor, 
se acreditasse nele, tenho certeza que voltaria correndo amanhã.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O brilho eterno de uma mente sem lembranças

Foto: Filme Brilho eterno de uma mente sem lembrança
"(...) - Não sou um conceito, sou só uma garota ferrada procurando por paz de espírito. Não sou perfeita.
- Não vejo nada que não goste em você.
- Mas verá.
- Agora eu não vejo.
- Você vai achar coisas. E eu vou ficar entediada e me sentir presa, pois é isso que acontece comigo.
- Tudo bem.(...)"


Comecei a redigir essas linhas depois que, de alguma forma, eu consegui observar o quanto uma mesma pessoa vivia me chamando de chato. Talvez ela tenha razão, talvez não... talvez ela só não tenha entendido minha preferência em enxergar e me manter a sós com meus pensamentos -principalmente os são cinzas e nublados.

  • 1) Não seja o "super sincero". Não diga com franqueza o que pensa, pelo menos não em algumas ocasiões.
  • 2) Sorria mais. A falta do sorriso definitivamente é sinônimo de chatice. Torne-se um chato ao não sorrir! Porém é conviniente lembrar que o sorriso demasiado poderá ser visto como insegurança, ou seja, encorpore o George Clooney não o Jim Carrey.
  • 3) Fale pelos cotovelos. Introverter-se não é o caminho. Fale da mãe, do pai, da avó, do filme em cartaz, livros, músicas, comente a internet útil -as notícias-, lembre-se da internet inútil (redes sociais e afins), cinema, gastronomia, shows, futebol. Coerência é fundamental.
  • 4) Aceite os convites. Mesmo após horas de stress no trabalho é conveniente a integração e manutenção do bem estar social. Leve em consideração o ítem 3.
  • 5) Esqueça a timidez. Nem que seja preciso algumas Stella Artois, converse, se integre. Pensar para falar pode dar a impressão de que você está arquitetando respostas. Não demore tanto, arquitetar uma resposta à la World trade center é perigoso e você poderá desmoronar (sem a necessidade de terroristas) nas suas próximas contradições, ou do tipo Millennium Bridge em Londres que te deixará complexo demais. Na verdade a espera é de uma resposta simples e direta.
  • 6) Gaste dinheiro. Não adianta... impossível impressionar sem ele. Para deixar seu carro limpo, para a conta na fila do mercado, para os presentes, desde os mais simples aos mais complexos. É um mal necessário. Trabalhe dobrado, se vire de alguma maneira, mas tenha-o em abundância, é melhor do que não ter.
  • 7) O primeiro (re)encontro é inevitável. Ou você faz tudo certo e sai como um cara bacana, gente boa, legal e engraçado... ou você vai querer desviar o olhar num próximo encontro. Todas as regras acimas deverão ser obedecidas e manere na Stella artois, ou você correrá o risco de ser um completo idiota.

Se depois de todas essas manobras você ainda ouvir injúrias, submeta-se a um tratamento que retire de sua memória os mals momentos vividos.