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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Sobre finais e recomeços


-Tudo bom?
-Tudo.
-Tô indo te ver, já saí de casa. (happy)
-Guri! Eu não disse que ligava pra ti? Meus pais estão vindo pra cá, acho que não vamos nos ver hoje.
-Nem mais tarde?
-Eu não sei até que horas eles vão ficar aqui.
-Tudo bem (sad), eu faço o retorno e volto pra casa. 
... (ausente de si mesmo) é... Eu só queria te dizer que foi muito bom ter te conhecido, que você superou todas as minhas expectativas. Adorei tudo.
-Que bom!
-Então é isso, até um dia!
-Bah, como tu e dramático guri.
-Você mora a 600 km de distância e quer que eu diga até semana que vem? Você sabe que não é assim. Bom é isso, até um dia. (very sad)
-Até.

...
...
...

-Sou eu novamente, pode falar agora?
-Posso falar.
-É que eu quero saber o que você pensa, o que você sente. Quero que me diga se foi bom ou não. Fiquei alguns dias na sua casa, depois você veio pra minha cidade e ficamos novamente. Preciso saber o que sente, fala alguma coisa. (sad)
-Guri eu sou assim. (happy)
-Tá, mas diz algo, me diz se gostou ou então fala que foi uma porcaria, que não gostou e que sou um chato, um saco. Mas fala algo.
-Mas tu é chato heim, eu já te disse isso (happy). Guri, tu tá me cobrando as coisas, não somos namorados.
-Eu sei que não somos namorados, não estou cobrando, só preciso saber o que pensa. Queria ouvir planos, queria que dissesse que eu iria na sua cidade novamente, ou que viria para a minha. (sad)
-No final de janeiro eu tô em São Paulo novamente. 
-Eu sou assim, eu não fico falando nada. Eu não estava contigo todos esses dias aqui em São Paulo? Tu não foi me buscar no aeroporto na sexta e eu não fiquei contigo? Não saímos ontem? Tu acha o que guri?
...
...

 Tu acha o que?
-Acho que gosta. (happy)
-Tem coisas que não precisam ser ditas guri.
-Poxa, eu gostei de você, só queria que entendesse isso e precisava ouvir isso de você também. (very happy)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Último romance


Ele levantou mais disposto do que de costume. Estava feliz com o emprego novo (ganhar duas vezes mais tem dessas coisas: muda o humor, rejuvenesce a pessoa e faz o sorriso transparecer felicidade). Colocou um rock bem alto no quarto e foi para o banheiro cantarolando e dançando com Beatles.
-As coisas finalmente começaram a dar certo Rafael. Disse para si mesmo olhando para o espelho.
Tomou banho, fez a barba, escovou os dentes... voltou pelado para o quarto. Abriu o armário e separou seu jeans e sua polo preta da Levi's. Vestiu uma das cuecas novas que comprou durante a semana (sabia que o final de semana prometia, e ele devia um dia fantástico para si mesmo havia muito tempo).
Estava com bons pressentimentos e sabia que a festa na casa do Edu, renderia no mínimo boas risadas.

Ela estava linda, com os cabelos negros soltos, um belo vestido preto e um salto que devia ter uns 15cm. Estava ótima consigo mesma.
Foi até a cozinha, pegou duas fatias de torradas e geléia de amora. Lembrou-se dele e decidiu não deixar suas oportunidades escorrerem por seus dedos. Já esperara muito tempo. Resolveu agir, resolveu viver.
Foi até a gaveta da penteadeira -durante esse trajeto seus passos eram seguros, precisos e confiantes. Finalmente chegara o momento em que Giulinha resolvera se permitir.
-Alô? Rafa?
Ele reconheceria aquela voz em milhares de ligações simultâneas.
-Giu-Giulinha?
-Isso... Estava pensando em te ver.
-Claro, seria ótimo, as 15:00hs pode ser?

Ele desmarcou com o Edu, disse que precisava ir ao trabalho e que chegaria mais tarde na festa, talvez só a noite.
Ela desmarcou com a Mônica, disse que não chegaria a tempo no shopping porque o cabeleireiro atrasaria um pouco.

Se encontraram, conversaram, comeram torta holandesa e depois tomaram café. Conversaram sobre quando se conheceram, se lembraram do 'quase acidente' e da conversa posterior no restaurante. Falaram sobre bilhetes deixados no fundo de gavetas.
Houve reflexão sobre o hiato e depois sobre o silêncio.

-Alô Rafa? Você não vem? Minhas primas chegaram do sul. O Jorge trouxe algumas amigas da faculdade.
-Estou chegando em meia hora Edu.
-Sabia que não me decepcionaria.

Ele resolveu se divertir um pouco. Resolveu viver a vida. Ele também estava ótimo, a vida é agora e viver significa muito. As primas do Edu e as amigas do Jorge se esticaram quando ele chegou perto da piscina.
Em direção a ele chegava o garçom com seu Martini.
-Aqui esta sua bebida senhor.
O som eletrônico estava ótimo e a noite apenas começando.
-São 2 Martinis senhor.
Giulinha apareceu ao lado dele. Dessa vez, além das primas do Edu,  as amigas do Jorge, os amigos do Edu e do Jorge, e a metade dos convidados também se voltaram para o casal.
-Pessoal essa é a Giulinha.
Se olharam, sorriram e trocaram um beijo tímido.

FIM

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O brilho eterno de uma mente sem lembranças

Foto: Filme Brilho eterno de uma mente sem lembrança
"(...) - Não sou um conceito, sou só uma garota ferrada procurando por paz de espírito. Não sou perfeita.
- Não vejo nada que não goste em você.
- Mas verá.
- Agora eu não vejo.
- Você vai achar coisas. E eu vou ficar entediada e me sentir presa, pois é isso que acontece comigo.
- Tudo bem.(...)"


Comecei a redigir essas linhas depois que, de alguma forma, eu consegui observar o quanto uma mesma pessoa vivia me chamando de chato. Talvez ela tenha razão, talvez não... talvez ela só não tenha entendido minha preferência em enxergar e me manter a sós com meus pensamentos -principalmente os são cinzas e nublados.

  • 1) Não seja o "super sincero". Não diga com franqueza o que pensa, pelo menos não em algumas ocasiões.
  • 2) Sorria mais. A falta do sorriso definitivamente é sinônimo de chatice. Torne-se um chato ao não sorrir! Porém é conviniente lembrar que o sorriso demasiado poderá ser visto como insegurança, ou seja, encorpore o George Clooney não o Jim Carrey.
  • 3) Fale pelos cotovelos. Introverter-se não é o caminho. Fale da mãe, do pai, da avó, do filme em cartaz, livros, músicas, comente a internet útil -as notícias-, lembre-se da internet inútil (redes sociais e afins), cinema, gastronomia, shows, futebol. Coerência é fundamental.
  • 4) Aceite os convites. Mesmo após horas de stress no trabalho é conveniente a integração e manutenção do bem estar social. Leve em consideração o ítem 3.
  • 5) Esqueça a timidez. Nem que seja preciso algumas Stella Artois, converse, se integre. Pensar para falar pode dar a impressão de que você está arquitetando respostas. Não demore tanto, arquitetar uma resposta à la World trade center é perigoso e você poderá desmoronar (sem a necessidade de terroristas) nas suas próximas contradições, ou do tipo Millennium Bridge em Londres que te deixará complexo demais. Na verdade a espera é de uma resposta simples e direta.
  • 6) Gaste dinheiro. Não adianta... impossível impressionar sem ele. Para deixar seu carro limpo, para a conta na fila do mercado, para os presentes, desde os mais simples aos mais complexos. É um mal necessário. Trabalhe dobrado, se vire de alguma maneira, mas tenha-o em abundância, é melhor do que não ter.
  • 7) O primeiro (re)encontro é inevitável. Ou você faz tudo certo e sai como um cara bacana, gente boa, legal e engraçado... ou você vai querer desviar o olhar num próximo encontro. Todas as regras acimas deverão ser obedecidas e manere na Stella artois, ou você correrá o risco de ser um completo idiota.

Se depois de todas essas manobras você ainda ouvir injúrias, submeta-se a um tratamento que retire de sua memória os mals momentos vividos.