sexta-feira, 8 de março de 2013

E Se Depois Do Fim o Amor Continuar?

"Sou seu pelo, avesso, sua pele, o seu casaco."

Quando te vi pela última vez você deixou bem claro que isso não era amor e fez questão de colocar todas as nossas contraditórias opiniões em questão. Disse que eu vivia demasiadamente na sua cola e ressaltou o quanto isso te chateava, lembrou do meu excesso de romantismo e até jogou na minha cara que eu deveria ser menos emotivo, que eu deveria dar mais razão às coisas e pensar com o cérebro, não com o coração [...]
Me mostrou que diferente de mim que prefiro pessoas mais novas, você opta por se relacionar com pessoas mais velhas, que possam te ensinar coisas. Fiquei me perguntando durante um tempão qual o motivo do meu apego aos mais jovens. De repente, se deve por não enxergarem minha insegurança ou por serem mais inexperientes e consequentemente mais inseguros que eu. Me passou pela cabeça que talvez eu fosse tão irrelevante e desnecessário, que não tivesse nada a te ensinar ou acrescentar.

Pontuou que não somos feitos um para o outro e que não somos um conto da Disney. Prefere os que malham, enquanto eu prefiro a literatura e propagar pensamentos com a ajuda do álcool e do cigarro. Embora minha princesa tenha fugido com um príncipe com os bíceps cheio de durabolin e o abdômen rasgado, ainda prefiro Stephen Chbosky à supino articulado.

Prometi para mim mesmo que não traçaria mais histórias sobre você ou sobre o que fomos, que não descreveria por exemplo, a estranha sensação de estar fora de mim ao sentir cheiro do seu pescoço, mesmo que você tenha acabado de sair do cabeleireiro, com o seu perfume removido por toalhas brancas úmidas. 

Seu iphone conectado no rádio do carro para você transformar um vídeo da Beyoncé num super programa de domingo. Repouso um Alpino no seu ombro, você diz que vai engordar. Sua maneira arrogante enquanto articula. Nossas mãos se reconhecendo. Minutos depois se perde nos meus braços, essa batalha eu sempre ganho. Seus olhos verdes combinam com os meus castanhos.  Meus sonhos regressam nesse instante.

Peço mais uma chance? Prometo me transformar no que não sou? É que teu beijo ainda é reticências. Todo o meu pesar nunca foi de mentira como você supos. Seria uma furada tentar novamente, às vezes acho que todo o meu melhor ainda seria insuficiente. Longas cartas para ninguém.

Te conto um segredo: tinha planos de uma vida só nossa, com noites de sexta feira regada a Prosecco, Jamiroquai e qualquer outra coisa que você goste. Nosso quarto teria o mais potente ar condicionado, só porque você gosta assim. Teríamos nosso cachorro e planos de como não ter planos. Seríamos. Se. Somente se.
Você me diz que não partiu. Explica que eu deixei que você partisse. Talvez. Metade da razão é sempre de quem vai, enquanto a outra, de quem fica.

Um comentário:

Marcela Alves disse...

voce sempre escreve um texto mais lindo que o outro! Em um relacionamento um dos dois sempre gosta mais.. sempre!

beeijo