sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A gaveta da alegria já está cheia de ficar vazia"


Foi como Alice caindo no buraco do coelho... 

...sorri para mim com os olhos, esses, brilham como faróis a noite. Arqueia a sobrancelha e me ganha nas palavras. Há algo no jeito como se move, do mesmo modo que a canção dos Beatles. Me traga como a ressaca de Assis no romance de Capitu e Bentinho. Me traga enquanto escutamos Radio Head, Placebo, enquanto traga o seu cigarro... me traga sempre esse conforto e admiração! [...]


Traz bondade, tesão, novidade... ora atual, ora retrô. Amo como me sinto, amo tirar o cinto.Fecha a porta do quarto, fecha os olhos e a água quente da hidro. Abre seu mundo, os botões do seu jeans e as pernas. Me privilegia, exclusivo, do seu charme de perder a hora, o isqueiro e a razão. Seu olhar tem mira, brilho, me pede... é verde! Nossas línguas brincam de esconde esconde , pega pega e polícia e ladrão. Escondem receios, pegam sentidos, roubam voz e sanidade.

Disfarço o anseio de ter você por mil madrugadas, por séculos a fio. Disfarço teclando no celular, fingindo haver algo mais interessante do que você. Torpes de sexo, desejo, vontade, cigarros e álcool. Por fim, repousa no meu peito enquanto afago seus cabelos negros.

É o modo como suas mãos se cravam em mim, é a forma que sussurra e geme ao meu ouvido, são os trejeitos. Deve ser de Marte, só pode. Não existe a saudade, nem o bater de portas, não há ressaca e nem gosto de moedas na boca no dia seguinte. Na manhã seguinte tem geléia de damasco, melão, suco de laranja, pão com frios, queijo polenguinho e você com gosto de mel. Aqui o ‘não’ não entra, não tem espaço e ele não é bem vindo, não há CAPS LOCK, nosso tom é baixo, por baixo dos lençóis.

Um empilhado de vulnerabilidade me toma e transita por mim, enfim, consigo de manhã, deixar você ir. Entendo que o melhor virá depois... o melhor virá com suas ligações me presenteando quando sussurra que está com saudade. Deixo ir porque é tão gostoso te convidar para o almoço de quinta feira e te ver chegar. Você está se saindo melhor que rondeli 4 queijos e bife à parmegiana. De tarde trabalho contente enquanto me lembro de você, sorrindo como bobo desenho todos os detalhes de como ficamos colados depois de. Certeza. Certeza que é esse o país das maravilhas.

3 comentários:

R Linhares disse...

Que lindo!
Gostei muito do que li...
Você escreve com uma leveza sobre algumas coisas... É tão leve e natural para você descrever 'o país das maravilhas'. Parece não ter dúvidas... Um dia eu chego lá. hehe Porque, para mim, não há nada mais difícil do que escrever textos assim e sentir essas coisas... Parabéns baby!
Bjs
;)

Daniele Oliveira disse...

A arte de descobrir outro ser, de dividir de lençóis á suor, cigarros bebidas e gemidos, dividir noites e colchões, dias e almoços.A vontade de dar tchau só pra poder sentir o gosto suave que a saudade tem as vezes, desobrir o que é uma saudade gostosa de sentir, aquela que não dói.
Dividir com a pessoa, mesmo que ela não saiba, tudo que é belo, já que tudo que vemos de bom remetemos de imediato o pensamento a aquele ser. Ter um cheiro que há pouco era desconhecido entranhado no nariz.
E o mais incrível, entender finalmente pq tantas outras pessoas não ficaram. Não é pq não quiseram, é pq o melhor estava por vir e elas só deram espaço...
Amore, estou muito feliz por você e quero assistir de camarote a sua felicidade, eu te disse que esse era o nosso ano, agora te peço que faça suas as palavras do sábio Bob Marly e seja feliz...I'm willing and able
So I throw my cards on your table...
PS: Essa versão que a Corinne Bailey Rae está incrível:
http://www.youtube.com/watch?v=tVxaf2booV8

Eder Fabricio disse...

Rafa, acredito que a questão seja só uma: se permita.
Pense nisso =D

Dan, suas palavras me emocionam. Muito.
Adorei a versão. Adorei a dica. Beijos.