domingo, 19 de fevereiro de 2012

Os simples presentes do presente


Algumas pessoas possuem uma insatisfação crônica em relação ao amor. Amam o que não tem, amam o que está longe demais do alcance, amam o comprometido e intangível. Há também aqueles que quando conseguem o que tanto almejou, simplesmente desistem. Eu sei e acredito que a grama do vizinho sempre será mais verde e mais bonita, mas me irrito fácil com quem desperdiça o hoje, o agora e fica almejando um amor tão futuro e abstrato que se esquece de olhar para os simples presentes da vida. Os simples presentes do presente [...]

Grande Dostoiévski diz e concordo em gênero, número e grau:
"As coisas mais insignificantes têm às vezes maior importância e é geralmente por elas que a gente se perde."
Ao invés de buscar o que não tenho, aprendi a focar minha facilidade no que já possuo. O que parecia quase insignificante tem um valor enorme para mim. E está ótimo assim...
Teve o dia que te fiz o primeiro convite para um sorvete -deixado em segundo plano- foi uma típica desculpa para ficar mais 15 minutos com você. Só conseguia olhar para seus olhos verdes enquanto conversamos sobre nós, sobre amigos em comum que descobrimos ao longo da conversa, sobre mundo corporativo e entretenimento. 
Teve a primeira vez que seus olhos me tragaram para si, me sugaram de uma maneira que ainda não consigo explicar. Aí nessa mesma noite foi reveillon e horas depois a primeira vez que dividimos o lençol, noite regada a risadas, cervejas e sexo.
Teve também aquele primeiro e-mail quando você me escreveu elogiando minha performance na cama. Sorri e desejei o segundo, o terceiro e todos os demais que foram chegando ao longo desses dois meses.
Teve aquele primeiro torpedo: "Saudades". Nesse momento, percebi o quanto é especial e diferente de todos os meus ex-alguma-coisa.
Teve aquela vez que me convidou para ir no aniversário da sua avó, seu primeiro convite para eu conhecer sua família, aquela vez que lavei seu carro e aquela vez que te apresentei para minha mãe.
Aquela que te levei para trocar o freio do carro, pensando na sua segurança. Foi a primeira vez que me preocupei de verdade com você.
Teve aquela vez da ligação, quando me contou feliz que tinha feito a matrícula da pós. Torci tanto por você. Torço tanto por você. Por nós.
Teve aquela vez que cai na banheira e você ficou preocupado enquanto eu tentava esboçar um sorriso. Foi hilário.
E por falar em banheira, também teve aquela vez que jogou água nos meus olhos e fingi que tinha perdido minha lente de contato, só para ver você sem saber o que fazer. Depois rimos disso. Teve nessa mesma noite o meu primeiro susto, porque quando olhei para você, estava deitado na cama e no momento seguinte do meu lado.
Teve aquela vez que aceite ir com você no rodízio japa só para ver seus olhos brilhando.
Meu segredo: -Só gosto de sushi, temaki e sashimi, mas para te ver feliz encararia rodízios japas semanalmente. Pensando bem, quinzenalmente, considere uns 15 dias de intervalo.
Teve também a primeira vez que você todo sem jeito tentou explicar todos os seus sentimentos por mim. Fui embora sem te beijar, foi a nossa primeira briga. Me arrependi na manhã seguinte e te liguei sugerindo uma Stella. Você aceitou.
Teve nosso primeiro cinema, o segundo e o terceiro. Fomos de comédia, suspense, terror. Teve nossa primeira pipoca meio a meio.
Teve aquele dia que te apresentei para os meus amigos e comemos açaí e também teve a vez que me apresentou para os seus. Me lembro que já fui entrando na casa do desconhecido, tão conhecido seu.
Teve nossa primeira viagem. Nossos primeiros três dias juntos. Aquela noite nos abraçamos bêbados sob o céu estrelado do litoral, eramos nós, o mar, o céu estrelado e um unplugged MTV no rádio do carro. O resto meros coadjuvantes.
Teve a primeira vez que passei protetor solar em você. E teve também aquela primeira vez que pegamos fogo embaixo do chuveiro.
Hoje prefiro tatear o que tenho em mãos. Hoje ao invés de desejar a felicidade e o amor no futuro, eu cuido do que está no presente. É um trabalho que exige doação, exige paciência, compartilhar idéias, entender o outro lado, exige menos egocentrismo, menos individualismo. Mas eu sei que num futuro não tão distante, vamos olhar o que já passou, orgulhosos de termos feito o que tinha de ser feito para darmos boas vindas ao amor.
Guardo todos os nossos momentos, revivo eles com todos os detalhes sempre que estamos longe. É uma forma de te ter pra mim novamente, mesmo longe, mesmo enquanto não volta para os meus braços. Muita gente sonha enquanto dorme, prefiro viver meu sonho acordado.

4 comentários:

Marcela Alves disse...

Aiii Eder, que lindoo.. é tão bom fica recordando as coisas de um amor que deu certo.. =)

Beeijos

SilverLux (Éverton) disse...

Maravilhoso como sempre meu caro! Grande abraço.

Deh moreira* disse...

Fantástico. Adorei o texto!

Eder Fabricio disse...

Marcela recordar também é viver. Clichê, mas real. Um beijo.

Everton sempre me mimando.

Déborah fico feliz com suas visitas. Beijão.