sábado, 20 de agosto de 2011

Um pouco de vinho tinto e um copo de desconfiança

"Amar cria raiz, sim. Cria, independente de ser verbalizado. Basta sentir o amor para que fiquemos dependentes dele, uma dependência boa, daquilo que nos faz sentir vivos." Martha Medeiros

Após o susto ela entrou no carro. Seu joelho estava ralado e ela resmungou quando ele limpou o ferimento com o lenço azul que tirou do porta luvas.
-Acho que você vai sobreviver. Disse ele e depois sorriu pra ela.
Ela paralisava e tremia com aquele sorriso lindo. Sabia que ele era especial e sorriu de volta. Entendia que a melhor forma de agradecer um sorriso é simplesmente sorrir, sem necessidades de sílabas ou frases.
Enquanto aguardavam o vinho tinto, ele foi ao banheiro. Ela pegou um guardanapo e começou rabiscar.

"Não sei se foi o acaso, mas agora que estou aqui,
quero ficar. Porém só essa noite...
Tenho medo de te ensinar a jogar uno e
 você não me ensina a acreditar que a vida vale a pena"
Giulinha

Dobrou o guardanapo entre os dedos, respirou fundo e guardou no bolso da jaqueta dele.
As luzes iluminavam o começo. Essa é sempre a melhor parte. Essa é a parte da descoberta, dos olhos límpidos e transparentes. No começo não há "aquela vez que você mentiu" e nem "desculpe-me por aquele erro".  
-Sou leonina Publicitária, trabalho em alguns projetos independentes, às vezes só as terças ou quintas, meu único vínculo e comigo mesma.
-Faço Marketing, sou de gêmeos e tenho obrigações fixas, de segunda à sexta. Mas também sei fazer lasanha e pessoas felizes. Sorriu novamente.
Entre taças de vinho tinto, cigarros e sorrisos, houve também o primeiro beijo. Adocicado, lento de início e urgente, como quem se conhecesse a algum tempo e sabe exatamente aonde quer chegar.
Trancados em um quarto escuro, corações dispostos e apressados se encontram naquele noite, entorpecidos de vinho e paixão com uma dose relaxante de amor. Aconteceu de estarem ótimos.
Já pela manhã ela o olhou e o beijou. Ele ainda dormia.
Ela estava feliz, mas tinha medo de criar raízes. Por medo decidiu ir embora.
Quando chegou em casa, ela foi direto para o chuveiro. Fez questão de lembrar todos os detalhes e sorrisos, mãos e afagos, gestos e gostos. Todos únicos.
Antes de dormir, resolveu vasculhar a bolsa, procurou a barrinha de cereal, sempre curou ansiedades assim, mas encontrou um "passaporte" escrito em um pedaço de papel.

"Talvez não queira mais me ver,
mas saiba que foi inesquecível...
Deixo você optar, mas por favor não demore muito. "
Rafael
    


Ela estava surpresa, feliz e com medo, segurou o bilhete nas mãos e dormiu. (...)

Antes disso: Cerejas e Marshmallow (I)
Depois disso: É isso (III), Just Believe (IV), Último romance (V)

domingo, 7 de agosto de 2011

Saudade


Fui só mais um cara.
Só mais um cara que acreditou no seu sorriso e tudo mais que saia de sua boca. Mais um cara que conseguiu ver verdades nos seus olhos.
Nossa noite mais feliz foi a última?
Desconhecia esse seu lado frio e sombrio, esses seus pensamento cinzas e nublados. Desconhecia essa sua outra face, afinal o geminiano sou eu, teoricamente você deveria se assustar com a minha outra face.
Teoricamente...
"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim. Eu sei não é assim, mas deixa eu fingir e rir." Ainda não me acostumei com a tal da poligamia e nem sei se quero ou devo.
Desamores acontecem a vida inteira, difícil mesmo é o amor, é o cafuné na nuca verdadeiro, é o sim limpo, livre de mentiras.
Te perdoo por fazeres com que eu ainda não tenha coragem de rasgar nossas fotos. Te perdoo por fazeres eu ainda pensar em nós.
Sinto sua falta.
Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos.

sábado, 6 de agosto de 2011

Para um antigo amor



"Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te."

Friedrich Nietzsche
(...) e o meu amor você perdeu
Perdeu nessa hora
Embora o meu amor seja teu
Meu amor eu vou embora
Porque você mentiu e o seu rosto
Seu rosto se quer cora
E eu vou botar meu coração
Pra curar lá fora

(...) e o seu coração vai cair
Vai cair no chão
Sou um flor do mato
Um pé de manjericão

(...) porque você mentiu pra alguém
E essa foi meu bem
A sua maior desrazão

Vídeo: Léo Fressato e Ana Larousse - Para um antigo amor


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Cereja e marshmallow

Tirou a garrafa do congelador e levou até a penteadeira, enquanto seus pensamentos voavam, suas mãos sabiam exatamente o que fazer. Com uma das mãos ela levou a garrafa até a boca e girou, com a outra descansava o cigarro no cinzeiro branco de porcelana.
Escurecia e a temperatura estava amena, era primavera, vestiu-se com seus jeans Levi’s preferido e um top preto. O salto a deixava, mais esguia e linda, mais imponente e confiante. Pôde olhar os pássaros pela janela, ao contrário deles que se recolhiam para dormir, ela estava apenas acordando para a noite.
Encarou-se pela primeira vez na noite, sorriu, estava feliz. Seu batom vermelho, aquele preferido, deslizava por seus lábios. O contraste era como cereja e marshmallow cor de pêssego.
Cantava Reckoner do Radio Head: (...)“because we separate. Like riplles on a black shore. In rainbows” (...), soltava os cabelos negros e sorria. Estava feliz por ter superado um punhado de (des)amores e sobretudo por continuar com brilhos nos olhos - estava de portas e janelas abertas para o próximo.
Sabia que a noite seria longa e resolver colocar uma barrinha de cereal, sabor castanha do pará na bolsa, seria útil caso sentisse fome quando voltasse pela manhã. Nunca foi de comer muito, mas pela manhã devorava frutas, pães, biscoitos, tomava sua xícara grande de café com leite e o que mais aparecesse pela frente.
Bebeu um gole de vokda e mexeu com a ponta dos dedos o gelo dentro do copo. Sorriu para o espelho novamente e terminou de se pintar. Colocou novamente o copo em repouso, dessa vez, pintado nas bordas com o seu batom. Pintou os cílios, as pálpebras, a boca, as maçãs do rosto, estava ótima, ao ponto de pintar o arco-íris com novas cores, mas decidiu começar pintando a noite mais feliz de sua vida.
Prendeu os belos cabelos num coque alto despojado, de forma que os fios soltos, propositalmente se espalhassem por sua nuca e costas. Colocou o celular no bolso do jeans, levantou, saiu e fechou a porta do quarto.
Terminou de beber, deixou o copo sobre a mesa e saiu.
Terminou relacionamentos, deixou romances sobre a cama e partiu.
Quando saiu do elevador, trocou meia dúzia de palavras com o porteiro antes de passar por debaixo do pé de Falamboyant e caminhar para a rua. Cinco ou seis garotos que passavam de skate entortaram o pescoço e a olharam des-fi-lar. Era um desfile.
Andava rápido, tinha horário marcado para chegar até a (feli)cidade.


Ele desligou o telefone e o computador. Já estava além do horário, precisava ir embora. Sua cabeça doía, e ele sabia que um bom banho resolveria parte do problema neurológico. Despediu-se de todos e desejou boa noite à todos.
No elevador abriu o último botão de sua camiseta pólo. Quando olhou para o celular e viu três chamadas não atendidas, resolveu desligá-lo, queria um pouco de paz.
Desceu até o subsolo e foi até o carro. Abriu a porta do passageiro e jogou sua mochila no banco traseiro. Deu a volta para a outra porta e entrou. Parecia ter pressa. Colocou a chave no contato, mas não ligou o motor. Resolveu desligar-se um minuto da realidade. Fechou os olhos e massageou as têmporas, tentava relaxar um pouco.
Olhou seu rosto pelo retrovisor, o cabelo já estava grande, precisava de corte. Não se incomodou com isso.


Ela atravessou a rua, distraída com seus pensamentos e se assustou quando ouviu o barulho do pneu do carro agredindo o asfalto. Ficou tão apavorada, achou que fosse morrer.
-Quase. Ele respirou aliviado quando percebeu que nada aconteceu.
Quando ele desceu, também assustado e apavorado, se deparou com a moça mais linda que já tinha visto em todos os seus vinte e poucos anos. Ela parecia frágil com um de seus joelhos no chão e com as pernas bambas. Suas mãos estavam frias e molhadas, foi a primeira coisa que ele percebeu quando a tocou. A segunda, com certeza foi enxergar nitidamente que ela não sairia mais de sua vida, pelo menos não pelo que dependesse dele.
-Você está bem?
-A-a-acho que sim.
Se olharam e tiveram a certeza que já se conheciam.
Ele a abraçou como quem cuidaria, ela sorriu como quem amaria. (...)

Depois disso: Um pouco de vinho tinto e um copo de desconfiança (II), É isso? (III), Just Believe (IV), Último romance (V)


domingo, 31 de julho de 2011

Não jogue nossas chaves

Estou confuso... acho que tenho esse direito, tudo é novo pra mim. Quando seus olhos me aceitam e seu sorriso me acolhe eu me assusto.
Você me disse que não quer romancear,  não me disse para eu ocupar as lacunas vazias do seu coração. Então eu acho que não tem o direito de se zangar.
Sempre aceito a sua metade, metade da semana, metade do fim de semana, metade dos seus sonhos e metade do seu drops de morango. Nunca pedi seu coração por inteiro, mas deixo claro nas entrelinhas que quero, é só você entender.
Senti medo de ter que tirar meus sentimentos nobres do peito e jogar no lixo... senti medo quando disse que não queria me ver. Meu peito doeu, rolaram lágrimas que a muito teimavam em se esconder por de trás dos meus olhos castanhos. Te peço para não jogar nossas chaves.
Foto: Filme Um beijo Roubado

Lizzy: Você ainda tem as chaves?
Jeremy: Sim, sempre me lembro que me disse sobre nunca jogá-las fora, sobre nunca fechar as portas para sempre.
Lizzy: Às vezes, mesmo quando se têm as chaves, essas portas não podem ser abertas.E mesmo que a porta seja aberta, a pessoa que procura talvez não esteja mais lá.

Te conto um segredo: Adoro seu sorriso e sua pele... gosto de pentear seus cabelos claros com os dedos e beijar suas costas. Gosto mais ainda da maneira simples que você faz eu me perder em ti. Gosto de me esquecer do que existe além de nós. Abro meus e-mails e leio o que você escreve,  feliz como um garoto que ganhou um presente novo. Você é meu presente novo, e quero que seja meu futuro também. Torço a cada minuto por uma mensagem de texto e quando chega e vejo que não é você, quase não tenho vontade de ler. Me leia também, sou tão simples de ler, preste atenção, te deixo pistas e chaves para entrar aonde quiser, na minha casa, no meu carro, no meu coração é só guardá-las.
Não se assuste eu erro mesmo, mas é só você me ensinar, falar do que não gosta. Eu sei que não gosta de Fast Food e atrasos, me fala então que também não gosta de compromissos desmarcados. Eu desmarco a minha vida e marco meu nome na sua para nunca mais me atrasar e desmarcar nenhum compromisso com você.
Certa vez quando eu tive um primeiro amor nos brigamos, eu olhava nos seus olhos e eu via olhos imprecisos e vazios. Eu pedia:
-Fique, não vá.
Sorriso com desprezo, sem afeto, sem carinho e cheio de dentes.
-Se você for não precisa mais voltar.
Ela foi e nunca mais voltou. Casou-se com outro rapaz (mas duvido que ele goste de Beatles, Los Hermanos, leia livros e os pensamentos dela) teve filhos... aquele que seriam os nossos, aqueles que chamaríamos de Pedro e Laura.
Ela deixou um vazio enorme e demorou algumas primaveras para tudo voltar ao seu devido lugar. Deixou todos os meus sentimentos confusos e desalinhados dentro no meu coração... deixou mágoa. Deixou sonhos guardados dentro de caixas de presentes. Nunca foram abertos. Criaram poeira.
Certa vez quando tive um melhor amigo ele também se foi. Não pude evitar, mas levo seu sorriso e olhos verdes por onde quer que eu vá. Está em paz e alto aqui do sétimo andar eu me lembro e até converso com ele.

-Fique bem, um dia ainda vou te abraçar e te contar muitas estórias, relembrar outras tantas que vivemos e ainda teremos tempo para sentar na grama, descalços, e ficar a toa, sem se preocupar com o anoitecer.
Tô confuso...
Então eu só peço um pouco de paciência. A doce solidão sempre foi minha companheira, mas a muito ela foi embora, estou aqui por nós. Acredite em nós. Fique. Não jogue nossas chaves.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Lua em Gêmeos ou férias de Inverno?


Quero você pra mim amanhã, me roubando sorrisos largos, paz, e minutos sem utilidades. Gosto quando acaricia minha orelha com suas mãos, também gosto quando elas acariciam as teclas do seu piano.

-Parabéns! Perfeito!
-Fala baixo e não faz barulho.
-Tá.

No posto de gasolina amarelo perto da sua casa os minutos voam, do gosto amargo da cerveja ao doce dos seus lábios rosados e do açaí com banana. Gosto do seu cheiro, das suas manias e dos seus óculos (e principalmente do que enxergo no reflexo deles quando estou ao seu lado).

Quero lembrar da nossa aventura mais secreta e perigosa, eu, você e uma imensidão de verde e as luzes pequenas dos arranha-céus.
-Me beija?
-Beijo.
-Vem aqui mais perto, quero sentir a sua temperatura.
E por mais que se afaste, eu sei que sua vontade é deitar no meu peito.

Quando os faróis se apagam, todo o universo se cala. Só ouço seu coração e sua respiração.
-Quero te ver novamente.
-Esse final de semana tenho compromisso.

Então, enquanto te tenho nos braços, quero aproveitar para sentir seu cheiro e olhar suas pintas cor de chocolate ao leite no branco neve das suas costas. Te puxo de leve os cabelos pela nuca porque eu já sei que você gosta.
-Vamos nos ver no sábado?
-Você não me chamou com entusiasmo!
-Sei lá, você sempre está ocupado nos finais de semana.
-Aceito.

Não sei se é a lua em gêmeos ou as férias de inverno. Espero que só julho acabe, quero você amanhã.

"Sobre os gêmeos do zodíaco: Pólux e Castor, tão semelhantes eram, que os mortais um do outro jamais os distinguiriam.
Tinham armaduras brancas como a neve e brancos como a neve eram os seus corcéis".

quinta-feira, 7 de julho de 2011

VENDO UM CORAÇÃO:


Funilaria e Pintura Revisada (sem marcas de mágoa ou ressentimento, apenas riscos leves... mas se você polir, sai fácil).


Sem ar condicionado, porém condicionado a sorrir se os teus olhos dizerem sim. Sem limpador traseiro, porém limpo de doenças cardiovasculares... arritmia somente com luzes apagadas. Manutenção OK (Revisado em 2010 e 2011).

Ano Fabricação 82 Modelo 83.

ÚNICO DONO. IMPERDÍVEL !!!