domingo, 1 de abril de 2012

Pós fim

Quando te vi, dois sábados pós fim, olhei seus olhos por alguns instantes. Eles estavam tão felizes, eles estavam tão verdes e eles estavam tão livres.

Partiu num sábado a noite. Deixou comigo seu cheiro, seu gosto, seus modos, suas pernas e bunda. Nem quis saber como fiquei. Nem se importou com a minha morte, com o sal escorrendo pela face e molhando a boca. Molhou a boca com o resto, com a sobra, com o que ficou de nós... com o que restou de mim [...]

Concordo que não devemos pedir o amor de ninguém e muito menos exigir a presença de alguém. Concordo que amores devem ser livres... as pessoas vão e voltam, sem cobranças, voltam porque querem a presença.

Mas como aceitar o fim do espetáculo, como encarar o fim da peça? O que para mim era o início, para você o fim. O que para mim era doce, para você já não era mais suficiente e importante.

Me deixou torto, sem saber o que fazer com as horas, sem saber qual direção seguir e sem saber o que fazer com o que restou de mim. Sinto uma falta absurda de quem eu era. Sinto falta de como me sentia fodão ao seu lado e tenho pena de como me sinto um lixo hoje... nesses dias que passam arrastados.

Olhei durante muito tempo para você e pensei "que pessoa foda que escolhi para ter ao meu lado". Achei que pensasse da mesma maneira. Foram tantos os convites feitos por você. Foram bares, Stellas, motéis, cinemas, praia, sua casa, seu álbum de infância, sua academia... como pode sumir assim feito fumaça?

Em um dia está ao meu lado, compartilhando sua vida e de repente desaparece e quer que eu te esqueça em duas semanas. Não. Definitivamente não.

O que eu faço com a vontade de ouvir você sorrindo?
O que eu faço com a vontade de te olhar no olhos, te tocar sua boca. Te lamber suas partes?
O que eu faço com a vontade de te olhar dormindo sobre meu peito, como fez tantas vezes?
E se eu lembro do seu cheiro? Como faço para não desejar seu pescoço?
O que eu faço com a vontade de tomar aquele prosecco e te ver daquele jeito: Você na versão prosecco.
Como faço pros meus olhos não transbordarem de saudade, toda vez que percebo que não está mais ao meu lado?
Como faço para voltar a ser o que fui um dia?
Como faço para me livrar do peso dessa despedida?
Como saio ileso disso, assim como você saiu?

Te conto um segredo: Fez eu chorar TODOS esses dias que se arrastaram até hoje, desde o dia que sumiu até a merda desse dia, que para mim não tem mais nenhum sentido. Senti raiva, senti vontade de dormir por meses, imaginei você com outro, imaginei outro tocando as suas (tão minhas) coxas, a sua bunda (tão grande e redonda, como fiz questão de ressaltar várias vezes). Entrei em parafuso. Experiência de quase morte. Luto.

O que me doí mais é ter que jogar tudo no lixo: O amor que sinto por você, a vontade de te ver todos os dias, bem humorado, mal humorado, o carinho, preciso jogar no lixo a vontade de afagar seus cabelos e te tocar, a vontade de... , os planos, os sonhos. Tenho a obrigação de juntar tudo, colocar em um saco de lixo preto e colocar para fora de mim.

Se vou sobreviver? É claro que vou. Sempre sobrevivi. Foram tantas as paixões. Menos intensas é claro, demorei 10 anos para dizer "eu te a.." Méritos para você que arrancou isso de mim. Méritos pra mim por conseguir estar ao lado de quem se ama.

De uma certa forma tenho mais a agradecer. Fui intenso, verdadeiro e feliz, estive do lado de quem amei, talvez ainda a... Não são todas as pessoas que conseguem isso. Existem pessoas que passam a vida inteira amando e nunca consolidam tal romance.

Aceitar o fim pode me custar mais baldes de lágrimas, mais vontade de dormir e menos de viver, pode me custar alguns kilos a menos, pode me custar a quase loucura que me encontro. Mas acredito que ainda vou olhar tudo isso e conseguir sorrir, sem qualquer traço de tristeza.

Já que hoje é 1 de abril vou mentir: "Já te esqueci!"

5 comentários:

RENATO VIDAL S. disse...

uf... Eder mucho tiempo sin pasar por aquí, los van y vienen de la vida, la tristeza que a momentos nos ganan en fin, Amigo eso que escribió me sucedió en un sueño lejano y profundo por que me paso a mi a la otra persona nunca le importe, no me amaba, yo creía que si, fue muy triste cuando le volví a ver 10 años después no me recordaba y fue aún mas triste pero sane, otras historias pasaron pero la vida no es fácil y lo entiendi, pero las heridas quedan, no se puede confiar en nadie ni en nada, se siente el vació, esa soledad, esta historia que escribiste es como si me viera en ella, no se pero hoy estoy mas sensible que de costumbre quizás recorde aquello que no quería. si esto fuera una canción sería DON'T YOU REMEMBER -BY DE ADELE.- tan bella como vuestra historia. Saludos y gracias por compartir tan maravillosas letras.

R Linhares disse...

Eu tinha resolvido não mais visitar o seu blog enquanto não acabasse o seu bode, mas não resisti!
A arte existe para ser apreciada e mesmo que o sentimento seja de dor, ele fica bem quando representa o que tem de verdade no coração como vc faz. Sem pudor nenhum porque já não tem mais nada a perder. Admiro você baby...
Li o seu texto e senti um pouquinho do que eu senti quando vivi algo parecido, por isso Parabéns!
O dia da mentira já passou então posso dizer que te adoro te verdade?
Agora chega, não sou de ficar elogiando, você sabe, então vou ficando por aqui.
Vou deixar um dos meus 'tesouros preferidos' para você aqui abaixo, me lembrei dessa música lendo o seu texto.
Aliás, sabia que a minha música favorita da Amy era "Back to Black" antes de ser "You Know I'm No Good"? Pois é, eu já prestei bebê... Fui pro luto, voltei e aprendi.
Bjs

Assim, de Repente (Jay Vaquer)

Cuspiu no prato que raspou
Duvidou que um dia fosse mudar de idéia
Não preparou, se mandou, evaporou
Espatifou o prato na parede
E eu catando os cacos pra tentar colar depois
Mas depois não vou que não tem
Não vou que não tem, nem vai que não tô

Como quisesse pisar...
Só por maldade ignorou
Seria realmente assim
E se pudesse levava até a saudade
Mas deixou...
Impregnada em cada fração de mim

Da noite pro dia
Nem sabia que aquela seria
A última vez que eu a via
Da noite pro dia
Ela sorria e me garantia
Estar na maior alegria
Da noite pro dia
A ironia é serventia...
Por conta da casa vazia
Da noite pro dia

Você é meu remédio tarja preta
Só com prescrição
Onipresente feito o ar

Daniele Oliveira disse...

Amore da vida minha... Entendo a sua dor, entendo seus questionamentos, entendo seu momento pq partilho de dor parecida e também me pergunto como podem e como conseguem apagar assim tão fácil nosso traço de suas vidas, nosso desenho de seus corações. Eu no meu caso não sei se é melhor não sei se é pior, mas recebo um Eu Te Amo em SMS todos os dias praticamente, mas em contrapartida ouvi mais de uma vez um Não dá, ao menos agora não, temos muito que mudar. Acho bonito, acho louvável até, mas isso não me garante menos dor, mesmo pq eu não acredito que ninguém mude por ninguém e a minha real sensação é: Alguém me ama mas isso é tão pequeno que prefere correr o risco de me perder do que tentar evoluir ao meu lado. Pois bem, eu sei pq as pessoas mudam, elas mudam por si próprias e em nome do meu imenso amor por mim mesma declaro que vou seguir em frente, se a encontrarei por ai em meu caminho não sei, confesso que espero que aconteça, mas não acontecer sigo em paz, eu fiz, eu fui, eu declarei, assumi, gritei, fiz muito mais do que acha que um dia poderia. Se por ela ou por mim não sei, mas fiz e me doo por satisfeita e me dói por insatisfação, pq esforço não garante recompensa. Mas eu me orgulho de nós, se somos corajosos ou masoquistas eu não sei, mas fizemos o que podíamos... Não me arrependo e mesmo essa dor me servirá de algo lá na frente.

Ruanna disse...

Lindo Texto fala de uma dor com muito amor !

Eder Fabricio disse...

Obrigado pelo carinho:
Renato, Rafa, Dan, Ruanna.
Esse momento é de muita dor, mas tenho certeza que tudo ficará bem e logo voltarei a sorrir.