domingo, 4 de dezembro de 2011

Meu bem, ou será meu mal?

Quando te toco meu corpo inteiro te convida, desde os dedos dos pés aos fios de cabelos, e não adianta fingir meu bem, a recíproca é verdadeira, vejo nos seus olhos.

Ela de repente não estava mais ali. O vento irônico, que às vezes sopra para longe momentos e pessoas, também nos surpreende. Sopra por vezes, momentos e pessoas que se foram um dia, para perto de nós, assim, como um bumerangue que voa alto ou rasante, existe um momento que ele faz a curva e retorna para o ponto de partida. O vento trouxera o cheiro familiar que ele carregava, amadeirado... trouxe lembranças e sensações.

Podia sentir as mãos, boca e olhos passearem por seu corpo. Se arrepiou. A nostalgia lhe tragou dali, aquele punhado de boas lembranças a deixava em transe. Sentada na grama, naquela tarde de domingo, já não ouvia mais os amigos, estava longe, e definitivamente, não tinha pretensão nenhuma de retornar a realidade.

Ele era só um menino, não tinha barba e nem maturidade perante algumas situações, era inusitado em outras tantas e trazia consigo todo o lado bom e ruim da coisa. Porque se parar pra pensar, não é somente ao adquirir um produto ou serviço que temos que analisar o custo-benefício. Quando nos relacionamos, adquirimos o pacote completo, então, a análise precisa ser metódica e racional antes da entrega. Olhando pelo lado positivo da coisa, existia a libido, o desejo demasiado, o sexo bom, viril, presente de segunda à domingo, de manhã, a tarde e a noite, as juras de amor, algumas vezes ela duvidava com qual das cabeças o piá pensava, o próprio amor que era quase devoto e a sensação de proteção que ela sentia. O lado ruim? Bom, esse ela sabia da primeira nota até o último acorde, conhecia todos os 'lá bemol' e 'dó com baixo em sol': tinha a insegurança típica da idade, a covardia perante algumas situações cotidianas, a dependência  que demonstrava (como se ela fosse uma droga) e isso a assustava, e o sentimento de posse.

Se viu deitada sobre o seu peito, rindo boba, acariciando com a ponta dos dedos, no esmalte vermelho sangue, todos os detalhes, todos os relevos. Se lembrou de todos os momentos bons, todas as recaídas, todas as vezes que juraram amor eterno. No meio de todos os 'por que' ou 'por quê', existia um que a deixava preocupada: Era amor ou só desejo carnal? Afinal das contas ela nunca encontrara um relacionamento onde o sexo funcionasse tão bem, provavelmente ele também não. Bastava o olhar, já sabiam onde tocar, onde acariciar. Era sexo sacana, despudorado, cheio de cheiros e sabores, de puxões de cabelos e apertões nos quadris. Tudo era válido, devoção e respeito funcionavam no dia a dia, ali, ele fazia dela uma cachorra mesmo, ela o estapeava e ninguém se sentia desrespeitado, muito pelo contrário. Respeitavam o tesão um do outro, respeitavam o silêncio que dizia tudo, respeitavam os desejos mais sórdidos tão difíceis de serem verbalizados. Sexo de verdade é assim, e por favor, tente não convencê-la do contrário. 

Voltou a realidade, o olhou com tristeza, fitou os olhos claros e cavo, se perguntou por que não deu certo e se um dia se libertaria daquele desejo que os unia. Teve vontade de chamá-lo para subir até o apartamento, teve vontade de adormecer em seu peito novamente e acordar sentindo os olhos dele devorando milimetricamente todo o seu corpo.
As lágrimas umedeceram seus olhos.

-É cedro, álcool vínico e âmbar. Ela disparou.
-Oi?
-O seu perfume.

Autores dos rabiscos: eu e minha querida Dani. Meu eterno amor.



8 comentários:

Daniele Oliveira disse...

Só você pra me alegrar em um dia como o de hoje, sem palavras pra agredecer o respeito e a amizade a mim dispensados, a abertura que me dá de compartilhar de minhas maluquices das doces as mais sórdidas, obrigado por abraçar desde as minhas cores até as minhas trevas. Peço a Deus que vc não me deixe....

G disse...

Puta, ler seus textos me dão alma nova. A intensidade que você pontua neles e a verdade é realmente cativante.

Abs

SilverLux (Éverton) disse...

Por que este seu texto me desnorteou tanto? Será que também não quero dizer adeus, como ela? Perfeito como sempre rapaz!!! Amo estar sempre aqui! Abração

Luna Sanchez disse...

"Sexo de verdade é assim, e por favor, tente não convencê-la do contrário."

E que não tentem convencer a mim também.

;)

Beijos, querido Eder.

Professor Gadomski disse...

Nossa, Muito 10. Ótimos escritos. http://professorgadomski.blogspot.com

R Linhares disse...

Ai ai ai
Meu amigo lindo transforma sacanagem em poesia como ninguém! Será que consegue fazer o caminho inverso também?!
O eterno romântico disfarçado de safado louquinho pra fazer amor com um pouquinho de sexo de vez em quando...
Se atenta aos detalhes que sequer passariam pela minha cabeça, e isso é tão bonito de se ver nos seus textos.
Me identifico com o 'Oi?' do finalzinho.
Bjs

Eder Fabricio disse...

Dani, fico feliz que te alegrei. =D Beijos.

G, costumo ser intenso em tudo mesmo, nem sempre é bom, mas prefiro assim. Abraços.

Éverton, me acostuma mal com seus comentários rapaz. Adoro todos! Obrigado. Abração.

Né Luna, que coisa rs... mas te conto um segredo, também gosto de sexo com carinho.. ahahhaha cafona né? rs Beijos

Professor Gadomski, obrigado. Abraços

Me ensina Rafa!

Luna Sanchez disse...

Não é cafona, é o teu jeito e só.

Cafona é dizer "fazer amor".

Rs

Beijos.